Mostrar mensagens com a etiqueta À procura da ALICE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta À procura da ALICE. Mostrar todas as mensagens

À procura da Alice - 2ª Carta


(ler a introdução)
(ler 1ª carta)



Querida Alice

É evidente que não recebeste a minha primeira carta, pois de certeza que responderias logo.

Mas não desisto! Continuo a precisar muito de ti.

Ontem deu-se um acontecimento surpreendente! Encontrei o Coelho Branco! Aquele, o mesmo que nós as duas conhecemos naquele país que “visitamos”. Como o reconheci? Até eu me admiro como fui capaz! Claro que hoje, visto à posteriori, dirias tu – facílimo! E eu concordo contigo. Vinha a furar pela multidão, cheio de pressa. Deu-me semelhante encontrão que o agarrei por uma orelha e disse – “então isso é maneira de andar na rua?” “ Não sabe o que é civismo?” “ Ao menos peça desculpa”. Foi então que percebi quem ele era. Bastante óbvio, não é? 

Pensando bem, estas coisas inesperadas e um tanto estranhas, já não faziam atualmente parte dos meus dias. É por isso que preciso muito de te encontrar…

Acho que os sapatos novos de tiras amarelas que eu tinha acabado de comprar foram os responsáveis por esta surpresa. Eles conduziram-me àquela rua onde nunca passo e consequentemente ao encontro do coelho. Sabes, acho que funcionaram como os bolinhos de crescer e encolher que comíamos. Sendo assim, estou contente… afinal aqui também podem acontecer coisas espetaculares... maravilhosas!!!

Percebi rapidamente que estava ali diante de mim uma forma de te encontrar e então contei-lhe da minha busca, do projeto de trabalho que tinha para nós duas, etc, etc. Foi muito difícil captar-lhe a atenção, pois este coelho não se acalmou ainda! Disse sempre que não tinha tempo, que estava atrasado (ainda não se percebeu para fazer o quê) e olhava constantemente para o relógio. Foi um desespero! Ele, impaciente, a repetir “está bem”, “está bem”, “se eu a vir digo-lhe”. Finalmente desatou a correr e perdi-o de vista. Não fiquei com grandes esperanças. Temo que ele se esqueça totalmente deste encontro e do recado. 

Deduzo que fazia algum tempo que ele tinha vindo "daquele país" e no entanto continua igual! Como é possível!

Depois deste encontro relâmpago, vim pela rua a pensar que aceitar os outros é bem difícil. Principalmente quando, como é o caso, não nos dão a devida atenção e valor. Já te disse anteriormente que me sinto diferente agora que voltei, mas depois deste encontro já não tenho tanta certeza que isso se note, e mais, que seja mesmo verdadeiro. O coelho, pelo menos, tratou-me como antigamente. Estou outra vez confusa! Este encontro foi uma nova esperança mas também me deprimiu. Tenho de repensar a minha identidade. A minha! A do coelho é problema do coelho!

Beijinhos



À procura da Alice - 1ª Carta


(Ler introdução aqui)

Querida Alice 

Não sei onde estás e preciso muito de te encontrar.

Penso que nos desencontramos por uma questão de minutos, mas, como sabes, um minuto faz muita diferença. Pensei então em escrever-te. Pode ser que alguém te leve este postal. Agora sei que não conhecer a tua morada não constitui nenhum obstáculo. Uma carta pode chegar sem correio nem carteiro!

Pois é, mudei! Sabes lá as coisas em que acredito hoje!

Sabes que tudo começou porque caí num buraco quando passeava num jardim. O que se seguiu foi um vai-vem de acontecimentos mágicos…crescer…diminuir… Isto parece-te coincidência? Há quem não acredite nisto, mas eu actualmente tenha vivido cada experiência!

Claro que eu já tinha lido em tempos a tua história e quero dizer-te que a achei sempre fascinante! E o modo como lidaste com toda aquela gente que teimava em não te aceitar… Foste fabulosa!

Olha Alice tens que me ajudar.

Como tu eu visitei (porque lá caí) aquele país maravilha e por lá andei durante algum tempo.

Vim embora atravessando um espelho enorme, dos antigos, que ocupava quase toda a parede duma sala do castelo da rainha. Não foi nada fácil. Para atravessar o espelho eu precisava de bastante confiança e isso era coisa que não tinha e, mesmo hoje, tenho só um bocadinho. Mas consegui!

O país era maravilhoso, mas…verdade, verdadinha, estava um pouco farta de não ter sossego. Trocavam o meu nome, davam-me constantemente ordens e só aconteciam coisas estranhas…

Vim embora mas francamente não sei se fiz bem. Tudo aqui parece estar ao contrário. E isto já dura há dias! Sou eu…não sou eu… Nem sei bem onde estou. Será que o espelho era de boa qualidade? Quando caí naquele imenso buraco parecia tudo diferente. Tu chamaste àquele sítio o “país maravilhoso do sonho sonhado”, mas hoje, estou tão baralhada da cabeça que já não sei se concordo contigo. 


Eu vim do país do sonho sonhado para o país do agora, o país do “tudo na mesma como de costume”. Bem sei que as coisas aqui eram chatas e não lhes achava piada nenhuma, mas agora olho à minha volta e tudo é confuso. Sou eu ou o resto que está de pernas para o ar?

Voltar não sei se foi boa ideia!

Percebes agora a urgência em te encontrar? Tenho que saber como vives a tua vida AGORA. Sinto que só tu podes pôr um pouco de ordem na confusão que é este meu dia a dia.





Há ainda o problema do espelho… o da minha casa, claro. É que ele não reflete a minha imagem! 


Responde rápido.

Beijinhos
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...